Pode deixar que nunca me perderei nos olhos
Não quero me prender à ilusão dos homens
Amo cada momento que suas ondas preenchem meus pulmões
Com um último suspiro me entrego a você eternamente.
A indignação cresceu em seu peito quando viu que era uma rede
Nem morrer, nem voar ela podia
As regras a comprometiam
Um peixe preso ela se sentia
Dando um dois os porcos fardados assistiam
Marcelos e Bills votando
Em que lago tem o lodo menos fundo
Pois só tem um jeito de fugir do barco pirata
Escolhendo em que momento se jogar da molhada rampa política
Tentativas de suicidio se tornaram frequentes
Mas até a faca parece estar cega
Com a balança da justiça enferrujada pela maresia
A esperança é a encarnação dos heróis em quadrinhos
Pois o óleo está todo derramado no chão para escorregar
Com todos esses empecilhos
Apenas alguns valentes conseguem se manter em pé na corrida
Desviando dos obstáculos das barracas de feira da corrupção
Os indivíduos ainda têm que fechar os ouvidos para a ilusão
Ninguém entende por que precisa ir toda uma população
Os homens, coitados
São obrigados a fazer tanta coisa sem retorno
Entrar na urna com a arma na cabeça por exemplo
Desejando que o gatilho no dedo trave antes de confirmar
Infelizmente serão ninguém se não estourarem os escrúpulos
Professora, por que não temos política na escola?
É mais importante saber que os catetos quadrados é a hipotenusa
Minha mãe disse que as cabeças quadradas estão no poder
A História já te mostrou que isso era mentira no Renascimento,
João e Maria, querem um pouco mais de doce?
Nunca fui
Com exceção de um único dia
Mas esse dia não conta
Porque era inocente
Não me conhecia
Hoje a vida mudou
Seja pra melhor ou pra pior
Não choro mais
Exceto por um único dia
E esse dia já passou
Porque eu não me conhecia,
Era inocente
Talvez isso seja triste, ou não
Mas hoje tenho mais cuidado
Não foi sempre assim
Por um dia
Fui inocente
Chorei
Só por um dia
Que acabou
Pro resto da vida
E agora só chorarei,
Quando olhar para trás
A vida
Com o tempo se tem medo
Do repetitivo
Necessidade de se sentir vivendo
Constantemente
Ser bom em alguma coisa
É fundamental antes de morrer
Pessoas como nós
Precisam falecer com aquele papel
Cumprido
Ou se recusariam
Amar intensamente
É apenas um dos objetivos
Ser amado verdadeiramente
É apenas outro
Com tantos objetivos a serem traçados
Essas pessoas só serão presas ao acaso
Numa cama vazia tive que deitar
Não é que não tenha escolhas
Muita coisa poderia fazer agora
Os lábios carnudos ainda estão na minha boca
E a lembrança de uma memória longínqua me faz relevar
O silêncio significa muitas coisas
A possibilidade de fazer acontecer se perdeu no tempo
A promessa quebrada ecoa entre as orelhas atéias
Os assuntos discutidos passam a ser coisa de momento
E a lembrança de uma memória longínqua me faz relevar
Os ateus que perdoem minha fé momentânea
Tive de fazer a ligação não atendida da confirmação
O que pode estar fazendo agora não importa
As vezes tenho esperança de não te ver mais
Apesar de ter certeza do seu medo
Que provoca aquela atitude
Que ja vi tantas vezes
E pelo jeito verei outras mais
Não atendeu o telefone
Porque não queria falar comigo
O registro esta lá, permanente
Na minha memória a ecoar
Decidi ja a aceitar as desculpas
Fingir que não analizei o reencontro
Do meu sentimento de dúvida e da desilusão
Farei aquele sorriso ameno
As juras que queria ouvir
Não serei mais romântica
Uma vez me prometi
A lembrança de uma memória antiga me faz relevar
E sorrir ao ver de novo
A saudade que deixou aqui
Para eu pescar
Finja dormir no sofá para ser acordado com carinho
Se por acaso morar sozinho
Finja amar alguém só um pouquinho
Para assim poder rir sozinho com todos os dentes
E dar conselhos amorosos para quem precisa
Porque para os outros temos uma ótima análise
Enquanto quando é para nós mesmos a coisa complica
Finja bem para não ser só fachada
Ou o coração não acredita
A farsa tem que ser bem feita
Ou todo esse precioso placebo desperdiça
É muito bom sentir saudades
Cantar no chuveiro e emagrecer
Escapar dos olhos as maldades
Nem se incomodar com o desemprego
Conhecer pessoas é novidade
Anima a alma da gente
Junto da esperança e da procura dos olhares
Fica essas rimas descartáveis e inocentes
Uma noite de chuva.
Um coração quebrado.
Uma força sobrenatural para catar os pedaços.
A falsa credibilidade que nunca mais correria aquela estrada de novo.
A falsa sensação de invencibilidade.
O piso em falso que te leva ao chão.
A expectativa de você ser forte o suficiente.
A expectativa de encontrar alguem que tirará todo o peso das suas costas por vontade própria.
O cansaço de fazer a vida melhor para todos mesmo que suas expectativas sejam ignoradas.
A falta de esperança com o passar do tempo.
A falta de compromisso sufocador.
A falta de alguém desconhecido.
Por onde ir agora?
"A esperança anda na corda bamba de sombrinha
A cada passo dessa linha pode se machucar
Azar, a esperança equilibrista
Sabe que o show de todo artista tem que continuar"
Talvez sejamos almas perdidas mesmo
Procurando uma direção
Mas prefira o outro olhar pro mundo
Nos anos 60 a era de aquários era a promessa da evolução
Filhos cada vez mais especiais, acreditavam
Depois de tantas incertezas e expectativas
Pode-se saber hoje o que aconteceu do outro lado do planeta
Para mim isso é grande coisa
Além de impressionados com a inesperada e diferente revolução
Ficam em choque com a matança
Matança sempre houve por aí
Com o excesso de realidade assustando as cabeças
Agora querem voltar para a ignorância
Se ilhando na egolândia
Entendo porque citam os Maias
Falam que a natureza vai se revoltar
E dar o troco de tudo que fizeram
Apenas a natureza da natureza das coisas
O humano não tem jeito e pronto
Merecem ir todos pro inferno
Eu não acredito nisso
Pois todos tem a cegueira de Saramago
Isso faz deles inocentes
Diferença da fase hippie pra atual
É a certeza de que irá ter catástrofe no aquário azul
Mas antes também se tinham certezas
De uma geração mais preparada mentalmente
Talvez ela exista e esteja dormindo
Em terra de cego quem tem um olho é rei
No meio do caos pessoas sempre surgem
Capazes de ajudar ou piorar a situação
Depende sempre de onde está o coração
Os hippies não sabiam das possibilidades
De ter catástrofes no amor e amor com catátrofes
Ondas do litoral até Brasília
Comunidades vivendo em ilhas
Pra se locomover ter que andar milhas
O retorno dos cavalos nas ruas
E ratos nos lixos
Grandes descasos e abandonos
Mas também possíveis grandes organizações
Ajuda vem por terra, não pelo ar
Espero que não vejam nos ets a solução
Quem sabe não é tudo ilusão
Do sonho dos hippies e dos Maias ao leite no chão
Enquanto isso os verdadeiros artistas
Ensaiam serem cegos hoje
Para serem reis amanhã
No palco do escondido novo mundo
O chão que você pisa
Bicho com fama de esperto, mas não passa de um tiro de sorte na escuridão.
Enquanto a coruja fecha os olhos antes do bote, tento permanecer bem alerta em meio a tanto silêncio.
Palavras curtas numa folha enorme.
Salto-alto no meio da lama.
Mini-saia na porta da igreja.
Correntes nas salas de jantar.
Os conservadores vendem sanduíches naturais nas lojas de açougue, enquanto na metade do dia as galinhas cantam na beira da praia.
Do que adianta berrar enquanto todos comem biscoito Bono no Jornal Nacional.
Nas cachoeiras das enchentes de São Paulo pesco tubarões martelo pelos telhados dos trinunais.
As crianças ficam rindo dos peixes-palhaços entre os tentáculos venenosos dentro do aquário circular do marketing.
Do que adianta ir contra o sistema de cotas se o que importa é a cotação estar em alta.
As vacas coloridas por toda zona-sul deixam as marcas de seus cascos inchados ao colocar tanta senha nas máquinas de cartão de crédito.
Pelo jeito não vivem tão alheios à inflação quanto se pensava.
Os burros se recusam a andar até obtiverem o balde de ração de dinheiro embaixo do seu focinho como ficou combinado.
De longe a águia careca observa tudo com a CIA de falsos amigos.
Em meio a todo esse circo prefiro dar banana para os macacos, pelo menos eles sabem fazer truques mais complexos que os dos golfinhos.
A pessoa tenta fugir para alguma reserva florestal
A vida seria muito mais fácil
Se abolissem o horário eleitoral
Os fumantes dão um trago bem cedo
E um antes do fim
Ninguém escreve de manhãzinha
Porque ta na hora de dormir
São muitas filas em bancos e supermercados
Comidas que não somos capazes de fazer
O que há dentro da salsicha?
E com mitos somos obrigados a conviver
Não namore o certinho
Pule de paraquedas
Se sentir vontade, dá um doiszinho
Para fugir das mazelas









