É algo...




È algo no atrito da caneta com o papel,
Frenético,
Possuído pela energia dos deuses,
O roçar das folhas em minhas mãos,
A forma como as letras surgem, uma após a outra,
Como uma dança, criando frases e sentenças
Significados complexos,
Onde segundos antes só havia espaços vazios...

É a mistura de dois tons,
Delicada,
Unindo-se para formar um terceiro
Colorido,
Novo e surpreendente,
O contato do pincel com a tela
Imortalizando um sublime momento aos olhos do artista,
Que de outra forma se perderia para sempre...

É algo na luz, no cheiro de fantasia e imortalidade
Sublime,
É a vibração que a sua alma sente naquele tablado,
Sabendo viver uma vida que não é tua
E torná-la tua em essência,
É descobrir que você é muito mais do que todos os papéis
Que lhe foram sendo impostos ao longo da vida...

É algo na areia que engole seus pés
Calorosa,
O sussurro do vento brincando com seus cabelos
A canção interminável do mar,
Acompanhado da serenata das aves,
O murmúrio infindo das ondas
Derrubando débeis castelos de areias.
Sua pele queimando salgada
Sentindo o gosto do oceano...

É algo nas mãos dadas,
Os dedos entrelaçados,
Forte,
Os olhos nos olhos,
Sorrisos sinceros,
Um aroma que não tem nome,
Mas lhe causa vertigens,
Suaves e aterradoras...

È ouvir o barulho de uma queda d’água
E correr até ela para admirá-la,
Os pés descalços sentindo a umidade da terra,
Sozinho,
Contemplando as estrelas
Nu em uma noite quente de verão,
Após um dia de chuvas,
Passageiras,
Sendo abraçado pela imensidão do universo
Sentindo-se pequeno nessa infinitude
Encontrando em mim mesmo a plenitude...

É algo no riso de um bebê, no vôo do beija flor, no cafuné...
É algo no riso dos palhaços, ate os tristes...
É algo no pôr do sol, e no seu nascer,
É algo no altar construído por suas próprias mãos
É algo em uma fitinha de santo, dada por alguém que você ama,
È algo no beijo apaixonado
E no abraço de saudade

É algo que não sei explicar,
É algo que geralmente nem dá pra pensar,
Ou passar
Pra alguém...
A não ser por sorte talvez...
É algo que levo comigo sempre
Em todo o lugar
E acredite
Faz toda a diferença...

Porque olhar não é igual a ver,
Gostar não é como amar,
Querer bem não é o mesmo que se entregar,
E sexo é algo realmente diverso do amor,
E seguindo sem saber como chegar
Eu vou...
Rir meus risos,
Misturar os meus tons,
Cantar as minhas canções,
E viver as minhas histórias de amor...
Sem saber como
Eu vou
Sabendo como
Eu vou
Sem saber
Eu vou
Vou sabendo
Sem como
E nem porque
De que
Só vou
Só sou...
Amor...

4 comentários:

Drix Brites disse...

que lindu..
ah.. o amor!
é algo, é tudo.

Barbara disse...

Amor, dentro da sua cegueira se orienta pelo tato, pelo beijo, nada que os olhos enxergarem trará mais saudade que a ilusão da morfina aplicada por aqueles dedos.

Num mundo cheio de minhocas escondidas dentro do solo visto pelo espaço, inocentes sentimentos amorosos confunde os sentidos e o caminho planejado por estes seres cegos e atarefados.
(concorda? até postei esse comentário que você me inspirou no outro blog hehehe)

kakatriz disse...

Vc realmente estava inspirado,Dan!Acho que nela vc traduziu desde as formas mais profundas de expressões humanas até as mais rasas,porém não menos importantes...Achei bem interessante a sua colocação de como o ser humano se relaciona com o universo...E o que mais me chamou a atenção foi o modo como vc relacionou o papel matéria e o papel dos personagens que vivemos ao longo da vida,foi,simplesmente, genial!
Gosteei muuuito mesmo!
Beeeijos
=)

Drix Brites disse...

tava lendo de novo e consegui ver toda tua arte teatral nesse texto.. que bacana que vc tá se tornando... alma de artista...
"breve é a vida.. longa é a arte"

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